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O presente trabalho tem como pretexto a unidade temática Questionamento da cultura científico-tecnológica (programa de Intr. à Filosofia, 11º ano)


 
 

 

UM ALERTA CHAMADO CINEMA
-- questionar a ciência pelo olhar dos filmes
 
Ana Carolina Marques

11º O (ESAM 2003/04)
 
Parque Jurássico Relatório Minoritário Missão Impossível II Matrix

 

Muito frequentemente nos perguntamos sobre o futuro da nossa humanidade. Quando olhamos para o jornal todas as manhãs e nos deparamos com guerras cruéis que exterminam todos os dias centenas de cidadãos; quando ligamos a televisão e nela nos são mostradas imagens horrendas ou “histórias impossíveis” de mortes com ácido, de experiências macabras feitas em animais e até mesmo humanos, de grupos secretos que ameaçam assustar ou até mesmo matar civis inocentes para assim conseguirem os seus objectivos (que são muitas vezes de ordem política), de hackers informáticos que tentam lançar vírus para conseguirem o caos e a desordem… Estes são apenas alguns exemplos da crueldade humana que, aliada ao poder e mais agora aos avanços tecnológico-científicos, consegue atingir proporções devastadoras, e a consequências de tal raiva e ambição são, a longo prazo (ou, quem sabe, a curto) o fim de uma raça inteligente, mas gananciosa, chamada Humana.

O jornal e a própria televisão trazem-nos a realidade, embora por vezes deturpem a realidade dos factos. Encontramos, porém, um meio que trabalha com a ficção, ainda que com bases possíveis e verídicas, que nos nos abala fazendo-nos ver e pondo a nu a realidade em que vivemos, mas da qual ainda muito pouco sabemos – a realidade da política internacional, da segurança e unidade mundiais, envolvidas na ética humana; a este meio chamamos Cinema. Ele desperta-nos e põe-nos a pensar sobre o verdadeiro problema que estamos a viver: o desenvolvimento irresponsável e incontrolado da Ciência.

Através do Cinema observamos, vivemos e sentimos as possíveis consequências de um desenvolvimento tecnológico-científico descontrolado. Muitas questões de ordem filosófica são discutidas. A Ética, o Direito e a Política são os domínios da Filosofia que melhor respondem aos problemas levantados pelo avanço científico.

O contraste entre, por um lado, o bem-estar e a felicidade humanas e, por outro, o sofrimento e o desespero, é uma realidade frequentemente mostrada e discutida nos filmes. A utilização do ser humano como meio para atingir um fim levanta questões sobre a responsabilidade e o respeito por parte da comunidade científica perante a humanidade.

Estes problemas levantam outros da ordem do Direito -- como a urgente necessidade de criação de normas e leis internacionais que façam e promovam o respeito entre os seres humanos, que estabeleçam novas relações entre os direitos e deveres dos membros da comunidade humana.

Mas a criação destas novas leis é totalmente de índole política, pois só esta pode promover a criação de leis e os mecanismos necessários para o seu cumprimento. Os problemas associados à criação da lei política levantam questões do domínio da justiça, da dignidade e das liberdades humanas.

Procuram-se, penso eu, em todos os argumentos cinematográficos com fundamento científico, a resolução de questões como as que acima referimos no que toca à Ética, ao Direito e à Política. E, insisto, na base de todos os problemas referidos está a relação entre o conhecimento e a felicidade (para a qual ou contra a qual esse conhecimento científico pode contribuir).

Neste trabalho procuro analisar através da perspectiva do Cinema as questões levantadas pelo desenvolvimento das ciências e pelas consequências possíveis das suas aplicações tecnológicas. Escolhi, de entre uma lista de filmes, os que melhor me pareciam encaixar nesta problemática filosófica (Parque Jurássico, Relatório Minoritário, Missão Impossível II e Matrix) e tentei desenvolver o assunto o mais filosoficamente possível.

Fui analisando filme a filme até chegar a uma conclusão sobre cada um. Primeiramente levantei ou formulei a questão que cada filme especificamente me suscitou, depois desenvolvi a tese e tirei as devidas conclusões.

Este texto faz parte de um trabalho onde se olha a ciência através do cinema e tem a seguinte estrutura:

[Jun/2004]


 
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