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O presente trabalho tem como pretexto a unidade temática Questionamento da cultura científico-tecnológica (programa de Intr. à Filosofia, 11º ano)

[Sinopse do filme (de Steven Spielberg, 1993, USA)
a acção desenrola-se quatro anos após o desastre de Parque Jurássico. Numa ilha deserta vizinha do parque, vivem secretamente dinossáurios. John Hammond, recentemente demitido da presidência da sua Empresa InGen, deseja redimir-se dos seus erros passados: defensor da natureza, envia uma expedição, liderada por Ian Malcolm, para estudar o comportamento dos dinossáurios no seu ambiente. Devem apressar-se para chegar à ilha primeiro do que uma equipa mercenária.
Os dois grupos, animados de propósitos opostos, entram em confronto antes de se unirem face ao perigo maior que os ameaça.]

PARQUE JURÁSSICO
 
Ana Carolina Marques

11º/O (ESAM 2003/04)

 

Problemas

  • Até onde levar a investigação científica? Investigações como as aqui tratadas não poriam em risco e consequente questão a existência humana?
  • Será que temos o direito de intervir no decurso natural da corrente da vida?

Tese

Enquanto seres inteligentes devemos cuidar e respeitar o nosso planeta e agir sobre ele de uma forma consciente e acertada.


Argumentos

O que uma análise mais profunda e reflexiva sobre estes filmes nos pode proporcionar é uma visão alarmista da investigação científica descontrolada e sem prévios limites estabelecidos para evitar consequências trágicas. O dono e fundador do parque não olhou a meios para construir um espaço diferente, inovador, mas potencialmente perigoso, que poderia pôr em risco a nossa supremacia enquanto animais (o Homem).

As investigações científicas, juntamente com a sua aplicação empírica. Os frutos que delas brotam e os resultados (ou consequências) que delas resultam nestes filmes não passam de simples, mas possíveis, metáforas de uma realidade muitas vezes obscurecida por uma visão da Ciência quase divina e transcendente.

Quando a Ciência impõe algo, de um modo geral há uma aceitação imediata e irreflectida. É o que acontece com o filme: este parque poder-se-ia tornar num espaço económico importante pois atrairia muitos visitantes; por outro lado também seria óptimo para a paleontologia estudar ao vivo as espécies e tentar compreendê-las no seu habitat; mas o “retorno” de milhares de anos no tempo poderia ser fatal, pois o Homem nunca interagiu com tal ambiente, é-lhe em parte desconhecido (nunca houve uma experiência directa). É isto exactamente o que acontece: o Homem perante um primeiro imprevisto, uma tempestade, fica indefeso, pois há uma falha eléctrica e as vedações tornam-se inúteis e os dinossauros conseguem facilmente destruí-las e juntar-se ao Homem que se torna impotente perante a força e selvajaria de tais animais.

A ambição, a paixão (como é o caso), o poder ou somente a curiosidade do Homem pelo conhecimento podem levar este a praticar loucuras sem olhar a meios. Supera por si mesmo as barreiras da moralidade e da ética para conseguir os seus objectivos -- a loucura do Homem, ainda não enquanto cientista, mas como cidadão e como humano. O cientista intervém aqui como meio para conseguir esses objectivos, ele conduz o seu conhecimento de forma a produzir uma nova informação que irá testar. Mas esta testabilidade deverá ter em conta as conclusões tiradas sobre as futuras consequências desse novo conhecimento, apontando, de uma forma neutra, os seus prós e contras. O cientista terá de vestir a pele de “Homem”, enquanto ser vivo e cidadão, para assim, consoante os resultados previstos, pôr em prática ou não esse conhecimento.

No filme, o que se deveria ter feito previamente para evitar a tragédia (que não foi maior por o parque estar situado numa ilha) teriam de ser análises e estudos sobre as prováveis consequências inerentes a um investimento deste género, mas ao que parece a ambição e paixão falaram mais alto e o parque foi construído. Testes foram feitos, mas nada previa o que se passou e tudo ficou descontrolado.

Neste caso específico, o próprio cientista, enquanto Homem, não terá olhado a possíveis fracassos, às consequências inerentes à construção de um Parque Jurássico, passando por cima da própria Mãe Natureza, alterando-lhe o curso natural; os dinossauros já há muito estão extintos e o Homem, inconformado, decidiu rebuscar estes animais de um passado longínquo, e acima de tudo mortífero, para um presente menos austero e um pouco mais civilizado.

Deste modo o cientista, enquanto Homem e ser habitante de um planeta povoado por uma incrível biodiversidade, deveria ser o primeiro a tomar consciência dos seus actos, analisando-os e contrabalançando-os de uma forma neutra e sensata para evitar consequências trágicas para consigo mesmo e para com os outros animais.

Este texto faz parte de um trabalho onde se olha a ciência através do cinema e tem a seguinte estrutura:

[Jun/2004]


 
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