» distinguindo as acções (humanas) dos
acontecimentos (naturais);
» consciencializando que nem todos os actos do homem são
actos especificamente humanos (só um ex.: o ressonar
não é);
» explicando essas diferenças através de
conceitos como intenção, fim, motivo,
liberdade, responsabilidade... (são acções
os movimentos corporais realizados por motivos, para
atingir fim(s), realizados livremente...)
||| Leia o verbete Motivo
(do Lexicon) e o texto Nem todos os actos
do Homem são actos humanos.
||| Faça o exercício
A estrutura da acção
Segundo os filósofos que defendem o
determinismo
qualquer acontecimento é o resultado de causas que o
antecederam; aplicada aos actos humanos, esta teoria defende
que nenhum dos nossos actos depende realmente de nós,
mas sim da conjunção das leis da Natureza e da
mente humana (estudadas pela psicologia e pela sociologia, sendo
a mente humana, ela própria, parte da Natureza). Ao contrário,
segundo os defensores do livre-arbítrio,
no mínimo, há algumas acções absolutamente
livres: cada qual possui o poder de se determinar por si próprio.
Os defensores da liberdade fundamentam-na frequentemente
na possibilidade de optar atestada pela nossa experiência;
em múltiplas situações do quotidiano sentimos
que poderíamos ter feito algo diferente daquilo que
realmente fizemos: na fila de uma cantina, escolhemos o
bolo de sobremesa em vez de fruta e percebemos que não
houve factores que tornaram inevitável a escolha feita
-- como está determinado à partida que o sol se
levantará amanhã [ler o capítulo 6
- livre arbítrio do livro Que quer dizer tudo
isto? -- dados bibliográficos aqui].
A nossa capacidade racional permite-nos prever
os resultados das nossas diferentes opções e,
portanto, escolher em liberdade.
Objecção dos deterministas: mas
do facto de optarmos não podemos concluir a liberdade;
as opções podem estar predeterminadas
-- e estão. Segundo o princípio da causalidade
universal, tudo o que sucede tem que ter uma causa; chamamos
livres aos actos cujas causas desconhecemos
-- como chamamos casuais aos acontecimentos cujas causas
ignoramos. Assim, a liberdade é uma ilusão: todos
os nossos actos são o resultado necessário de
factores anteriores, incluindo actos tão simples como
a escolha de um sabor de uma pastilha elástica. "Uma
escolha, uma decisão, é um acontecimento psicológico
(neurológico) na mente de alguém: consiste na
troca de mensagens entre células do cérebro sob
a forma de impulsos electroquímicos, ou seja, factos
biológicos, que obedecem a leis biológicas e físico-químicas.
Para além destas muitas e complexas causas físicas,
temos um outro conjunto de causas, as especificamente psicológicas:
talvez tenha escolhido o sabor laranja em parte porque fui estimulado
a habituar-me a ele na infância ou porque ele esteve associado
a situações agradáveis, como festas, ou
porque nos últimos tempos bebi muitas vezes limonada
e agora o sabor a laranja me pareça mais convidativo,
etc. Mas tudo isto (e todas as hipóteses que a psicologia
pode levantar e estudar para além destas poucas) se poderá
dar a um nível que é, em grande parte, inconsciente,
pelo que não damos por elas e pensamos, erroneamente,
estar a ser livres na nossa escolha" (CASELAS, António;
LOPES, António; MARQUES, Francisco – Filosofia
10º ano. Carnaxide: Constância).
Contra-argumentação
(possível) em defesa da liberdade: é inegável
que é impossível agir sem factores condicionantes.
Apesar destes factores e para lá deles, a liberdade é
possível enquanto capacidade de, pela criatividade,
superar essas condicionantes. Somos, em alguns aspectos, inferiores
a certos animais; o ser humano é mesmo, à partida,
o mais desamparado dos animais: não tem as garras do
leão nem a visão das aves de rapina...; mas, para
ultrapassar essa situação, criamos instrumentos
-- objectos de corte para suprir a falta de garras, binóculos
para ver melhor, aviões para superar a força da
gravidade... A nossa inferioridade é a base para a construção
da nossa superioridade.
[Esta é a ideia central do texto O
equipamento não corpóreo do ser humano]
[FAÇA o exercício
Estamos condenados à liberdade?]