A ACÇÃO HUMANA
-- análise e compreensão do agir

1. A rede conceptual da acção
2. Determinismo e liberdade na acção humana

 

ALGUMAS IDEIAS/ACTIVIDADES

Trataremos aqui de

  1. identificar as características específicas da acção humana
  2. » distinguindo as acções (humanas) dos acontecimentos (naturais);
    » consciencializando que nem todos os actos do homem são actos especificamente humanos (só um ex.: o ressonar não é);
    » explicando essas diferenças através de conceitos como intenção, fim, motivo, liberdade, responsabilidade... (são acções os movimentos corporais realizados por motivos, para atingir fim(s), realizados livremente...)

    ||| Leia o verbete Motivo (do Lexicon) e o texto Nem todos os actos do Homem são actos humanos.
    ||| Faça o exercício A estrutura da acção

  3. analisar condicionantes físico-biológicas e histórico-culturais da acção humana

    » demonstrando as relações da acção com o corpo do sujeito que age (com os vários sistemas -- glandular, nervoso...) e o meio físico;
    » demonstrando a importância do meio social e histórico (o contexto cultural)

  4. ||| Leia o texto Condicionantes da acção humana
    |||
    Como exercício, comente a afirmação (do filósofo espanhol Ortega y Gasset) "Eu sou eu e as minhas circunstâncias".

  5. formular o problema da liberdade na acção e apresentar as teses (e os argumentos) do determinismo e do livre-arbítrio

    A questão: há factores biológicos, sociais e culturais que condicionam a nossa acção (ver nº 2). Será possível, apesar disso, provar que certas decisões são radicalmente livres ou, sequer, que há uma parte absolutamente livre em algumas delas? ou seremos apenas robôs manipulados pelas leis da Natureza e da sociologia?

  6. Segundo os filósofos que defendem o determinismo qualquer acontecimento é o resultado de causas que o antecederam; aplicada aos actos humanos, esta teoria defende que nenhum dos nossos actos depende realmente de nós, mas sim da conjunção das leis da Natureza e da mente humana (estudadas pela psicologia e pela sociologia, sendo a mente humana, ela própria, parte da Natureza). Ao contrário, segundo os defensores do livre-arbítrio, no mínimo, há algumas acções absolutamente livres: cada qual possui o poder de se determinar por si próprio.

    Os defensores da liberdade fundamentam-na frequentemente na possibilidade de optar atestada pela nossa experiência; em múltiplas situações do quotidiano sentimos que poderíamos ter feito algo diferente daquilo que realmente fizemos: na fila de uma cantina, escolhemos o bolo de sobremesa em vez de fruta e percebemos que não houve factores que tornaram inevitável a escolha feita -- como está determinado à partida que o sol se levantará amanhã [ler o capítulo 6 - livre arbítrio do livro Que quer dizer tudo isto? -- dados bibliográficos aqui]. A nossa capacidade racional permite-nos prever os resultados das nossas diferentes opções e, portanto, escolher em liberdade.

    Objecção dos deterministas: mas do facto de optarmos não podemos concluir a liberdade; as opções podem estar predeterminadas -- e estão. Segundo o princípio da causalidade universal, tudo o que sucede tem que ter uma causa; chamamos livres aos actos cujas causas desconhecemos -- como chamamos casuais aos acontecimentos cujas causas ignoramos. Assim, a liberdade é uma ilusão: todos os nossos actos são o resultado necessário de factores anteriores, incluindo actos tão simples como a escolha de um sabor de uma pastilha elástica. "Uma escolha, uma decisão, é um acontecimento psicológico (neurológico) na mente de alguém: consiste na troca de mensagens entre células do cérebro sob a forma de impulsos electroquímicos, ou seja, factos biológicos, que obedecem a leis biológicas e físico-químicas. Para além destas muitas e complexas causas físicas, temos um outro conjunto de causas, as especificamente psicológicas: talvez tenha escolhido o sabor laranja em parte porque fui estimulado a habituar-me a ele na infância ou porque ele esteve associado a situações agradáveis, como festas, ou porque nos últimos tempos bebi muitas vezes limonada e agora o sabor a laranja me pareça mais convidativo, etc. Mas tudo isto (e todas as hipóteses que a psicologia pode levantar e estudar para além destas poucas) se poderá dar a um nível que é, em grande parte, inconsciente, pelo que não damos por elas e pensamos, erroneamente, estar a ser livres na nossa escolha" (CASELAS, António; LOPES, António; MARQUES, Francisco – Filosofia 10º ano. Carnaxide: Constância).

    Contra-argumentação (possível) em defesa da liberdade: é inegável que é impossível agir sem factores condicionantes. Apesar destes factores e para lá deles, a liberdade é possível enquanto capacidade de, pela criatividade, superar essas condicionantes. Somos, em alguns aspectos, inferiores a certos animais; o ser humano é mesmo, à partida, o mais desamparado dos animais: não tem as garras do leão nem a visão das aves de rapina...; mas, para ultrapassar essa situação, criamos instrumentos -- objectos de corte para suprir a falta de garras, binóculos para ver melhor, aviões para superar a força da gravidade... A nossa inferioridade é a base para a construção da nossa superioridade.
    [Esta é a ideia central do texto O equipamento não corpóreo do ser humano]

    [FAÇA o exercício Estamos condenados à liberdade?]

Propomos um teste de controlo dos seus conhecimentos.
Leitura de enriquecimento: A liberdade da vontade (onde J. Searle discute a possibilidade de conciliar liberdade e determinismo)

 

[OBSERVAÇÕES DO PROGRAMA]

©Jan 2004 - Nov 2005

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