| ALGUMAS
IDEIAS/ACTIVIDADES
- Moral
e Ética ...
• O domínio moral-ético —
quando estamos no domínio da moral?
O texto A
moral caracteriza esse domínio,
distinguindo-o de outros, designadamente, do direito
[a moral "não
existe basicamente para punir, para reprimir, para condenar.
Para isso há tribunais, polícias, prisões,
e ninguém os confunde com a moral"; a moral
começa "onde nenhuma punição é
possível, onde nenhuma repressão é
eficaz, onde nenhuma condenação, pelo menos
exterior, é necessária. A moral começa
onde nós somos livres: ela é a própria
liberdade, quando esta se julga e se dirige"]
e, procurando pela
fundamentação da moral, defende que
essa fundamentação não é necessária/possível:
não é, por ex., "a religião
que fundamenta a moral; pelo contrário, é a
moral que fundamenta ou justifica a religião"
(sobre este tema ver o ponto 3).
Leia ainda, sobre a ética/moral,
O que a ética não
é
e o 1º capítulo (O que é a moralidade?)
de Elementos de filosofia moral de James Rachels
[elementos bibliográficos aqui]
• Deveremos distinguir Moral de Ética?
Há pensadores que não distinguem os 2 conceitos,
mas os autores do programa (entre outros pensadores) distinguem-nos:
-
A moral "é um facto social indiscutível,
no sentido de que não se conhecem sociedades em
que os conflitos intra e interindividuais não apareçam
regulados por códigos, costumes, máximas,
conselhos, advertências, proibições
e exortações mais ou menos tácitas
ou expressas", podendo mesmo dizer que "cada
homem e cada mulher, enquanto indivíduos, são
eles próprios mais os códigos e normas morais,
a moral a que aderem". No entanto, nem todos os seres
humanos adquirem consciência do denominado processo
de moralização apesar de, ou precisamente
por causa de terem sido submetidos a ele"; é
precisamente "a análise do processo de moralização,
a indagação dos valores em jogo ou em litígio",
que "torna necessário e ineludível
que todo o ser humano que pretenda alcançar um
grau determinado de liberdade, de maturidade e critério
próprios tenha de embarcar na via de transição
da moral à ética", no sentido de esclarecer
que normas morais merecem ser obedecidas e quais precisam
de ser substituídas ou rejeitadas". (Esperanza
Guisán - Introducción a la ética.
Madrid: Cátedra, 1995, p. 31-32).
Assim, a Moral seria o conjunto das
prescrições admitidas numa época
e numa sociedade determinadas, o esforço por se
conformar a estas prescrições, a exortação
a segui-las; e a Ética, a ciência
que toma por objecto imediato os juízos de apreciação
sobre os actos qualificados de bons ou maus. É
claro que, assim definidas, as questões de Moral
e as de Ética se interligam frequentemente —
mas isto não exclui uma distinção
bem nítida das suas definições (ver
os verbetes respectivos do Vocabulário técnico
e crítico de filosofia de André Lalande
[dados bibliográficos aqui]).
No mesmo sentido aponta Fernando Savater (Ética
para um jovem, p. 42 [dados bibliográficos
aqui]: "Embora
eu use as palavras 'moral' e 'ética' como equivalentes,
de um ponto de vista técnico (...) elas não
significam o mesmo. 'Moral' é o conjunto de condutas
e normas que tu, eu e alguns dos que nos rodeiam costumamos
aceitar como válidas; 'ética' é a
reflexão sobre o porquê de as considerarmos
válidas, bem como a sua compração
com outras 'morais', assumidas por pessoas diferentes".
-
O texto Ética
e moral, de Artur Polónio, rejeita esta distinção,
considerando que nada temos a ganhar com ela. O autor
distingue ética aplicada, ética normativa
e metaética.
-
As relações do sujeito
consigo mesmo, com os outros e com as instituições
[desenvolvimento aqui]
-
A fundamentação da moral e os critérios
de apreciação da moralidade dos actos humanos
- O problema: o que é que torna boas/más
(correctas/incorrectas) as nossas acções?
-
Duas respostas: a)
a intenção das mesmas; b)
as suas consequências.
"O termo 'consequencialismo' é usado para descrever
teorias éticas que ajuízam da rectidão
ou não de uma acção, não através
das intenções do autor da acção,
mas antes das consequências da acção.
Enquanto Kant afirmaria que dizer uma mentira será
sempre errado, sejam quais forem os possíveis benefícios
que daí possam resultar, um consequencialista julgaria
o acto de mentir através dos seus resultados efectivos
ou previstos" (WARBURTON, Nigel - Elementos básicos
de filosofia, p. 80. [elementos bibliográficos
aqui])
-
A ética de Kant
é um bom exemplo da primeira resposta: é moral
a acção que é executada por dever,
e não em função dos seus efeitos. Ponhamos
um exemplo: F cai ao mar e S lança-lhe uma bóia
para o salvar -- mas a bóia cai na cabeça
de F, que acaba por afogar-se. Imaginemos que B atira uma
tábua a F, para o matar -- mas a tábua flutua
e F acaba por se salvar. Uma moral da intenção
julga a primeira acção mais estimável
do que a segunda, apesar dos resultados mais postivios desta
última. Segundo Kant, só a boa vontade
fundamenta o valor moral de uma acção.
Agir por dever não é o mesmo que
agir conforme ao dever (como é o caso de
não mentir para que acreditem sempre em
mim): o dever é a necessidade de realizar uma acção
unicamente por respeito pela lei moral. E esta lei consiste
apenas na sua forma, que é a universalidade -- devo
poder querer que os meus princípios se tornem uma
lei universal. A lei apenas pode ser representada por um
imperativo categórico:
"age apenas segundo uma máxima tal que possas
ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal".
-
O utilitarismo é uma ética
consequencialista [ler verbete Utilitarismo].
-
O texto Certo
e errado discute várias hipóteses de resposta
à questão o que é que torna um
acto certo/errado?
-
Na obra, já referida, Elementos
básicos de filosofia Nigel Warburton, após
uma síntese das duas teorias aqui em questão,
apresenta críticas à ética kantiana
(p.77-79) e ao utilitarismo (p. 81-84).
-
Analisar o direito
e a política, enquanto dimensões configuradoras
da experiência convivencial, à luz dos
imperativos de
• liberdade e justiça social
• universalidade da justiça e direito à
igualdade
• universalidade da justiça e direito à
diferença
• salvaguarda dos direitos humanos e responsabilidade
pelas gerações vindouras.
[em redacção]
[OBSERVAÇÕES
DO PROGRAMA]
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