3.1. A DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA
-- análise e compreensão da experiência convivencial

3.1.1. Intenção ética e norma moral
3.1.2. A dimensão pessoal e social da ética -- o si mesmo, o outro e as instituições
3.1.3. A necessidade de fundamentação da moral -- análise comparativa de duas perspectivas filosóficas
3.1.4. Ética, direito e política:
— liberdade e justiça social
— igualdade e diferenças
— justiça e equidade

 

ALGUMAS IDEIAS/ACTIVIDADES

  1. Moral e Ética

    • quando estamos no domínio da ética-moral?

    • fará sentido distinguir Moral de Ética?

    [desenvolvimento aqui]

  2. As relações do sujeito consigo mesmo, com os outros e com as instituições

    É frequente referir duas dimensões da moral: o seu carácter social e a intimidade e a consciência crítica do sujeito moral. Argumenta-se a favor desta dupla dimensão com as ideias de que a) sem a liberdade individual não há moralidade (só pode ser moralmente obrigado o sujeito livre); b) o homem é um ser social e qualquer dos seus actos afecta de algum modo os que com ele vivem.

    Contudo, não é pacífico o modo de entender a relação entre essas dimensões. Segundo a teoria do egoísmo ético, por exemplo, a pessoa deve agir em função do seu interesse pessoal [O capítulo 6 de "Elementos de filosofia moral" de James Rachels (dados bibliográficos aqui) analisa o egoísmo ético, apresentado argumentos a favor e argumentos contra essa teoria].

    No livro "Ética como amor propio" [dados bibliográficos aqui] Savater fundamenta a ética no amor próprio (expressão que prefere a "egoísmo" -- ver as razões na página 39) e na auto-afirmação: nenhuma ética laica nos impõe a renúncia ao que somos, antes pretende a melhor realização do que somos. Savater contraria assim "a venerável tradição da moral renunciativa, de inspiração primordial mas não exclusivamente cristã, que situou na superação ou até mesmo na abolição do amor próprio (ou o também, de um modo mais censório, chamado "egoísmo") e na correspondente potenciação do altruísmo a própria essência da opção ética" (p. 35). Ora "chamamos 'valor' e concedemos valor àquilo que mais nos interessa: isto é válido tanto para a ética como para o direito e a política" (p. 30); "O que queremos aqui deixar assente é que o dever moral não é senão a expressão racionalmente consequente do querer (ser) humano" (p. 39). Como é que uma moral caracteristicamente antiegoísta como a kantiana [ver abaixo, ponto 3] "pode no entanto centrar-se no lema de que cada homem é um fim em si mesmo e preconizar a autonomia moral do sujeito?" (p. 37)

    Esta teoria de Savater não implica a recusa do(s) outro(s). "O essencial é que eu sou eu para mim não contra os outros mas porque há outros. O apego do eu a si mesmo, à sua própria conservação, benefício e potenciação não é algo inimizado com a sociabilidade mas, pelo contrário, exige-a". "O eu que sabe o que lhe convém -- quer dizer, de onde provém e como durar mais e melhor -- não só não é associal, como pelo contrário interioriza e reforça as razões da sociabilidade. Talvez se pudesse sublinhar que o que se recusa não é tanto o egoísmo como o egocentrismo" (p. 37). Constitui-se, assim, o egoísmo como autêntico fundamento da sociablidade; mais: não há solidariedade nem altruísmo efectivos que não partam do mais primário egoísmo, por muito que o transcendam -- "o sujeito sabe que ninguém preservará o seu ser (humano) e o potenciará se ele mesmo o não fizer, quer dizer, no lugar da sua liberdade não pode haver ninguém mais do que ele próprio; mas esse eu que tenta conservar e potenciar não é nada sem o reconhecimento humano, sem a vinculação social" (p. 50).

    Embora Savater reconheça as influências de Espinosa sobre a sua teoria (ver p. 39, por ex.), expressamente afirma que o "grande teórico moderno da fundamentação dos valores sobre o amor próprio foi Thomas Hobbes" (p. 51).

    [tradução do texto de Savater de A. Gomes]

  3. A fundamentação da moral
    [desenvolvimento aqui]

  4. O direito e a política, enquanto dimensões configuradoras da experiência convivencial, à luz dos imperativos de
    • liberdade e justiça social
    • universalidade da justiça e direito à igualdade
    • universalidade da justiça e direito à diferença
    • salvaguarda dos direitos humanos e responsabilidade pelas gerações vindouras.
    [em redacção]

[OBSERVAÇÕES DO PROGRAMA]

©Jan-Abr/2004

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