MÓDULO INICIAL
-- iniciação à actividade filosófica

1. Abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar
1.1. O que é a Filosofia? -- uma resposta inicial
1.2. Quais são as questões da Filosofia? -- alguns exemplos
1.3. A dimensão discursiva do trabalho filosófico

 

ALGUMAS IDEIAS/ACTIVIDADES

Há um problema comum a todo este módulo: O que é a filosofia? um problema desenvolvido em 3 grupos de questões:

1. O que é a filosofia? a quê chamamos filosofar? O quê não é filosofia?

 

Numa "caracterização" breve, diríamos que a filosofia "é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos" (Nigel WARBURTON - Elementos básicos de filosofia [dados bibliográficos aqui], p. 19-20)

 

||| Para desenvolver esta ideia inicial, sugiro a leitura (e a resolução das propostas de trabalho) de A primeira aula.

Sinteticamente: filosofar é pensar sobre problemas, de modo a encontrar-lhes respostas devidamente apoiadas em argumentos lógicos (veremos depois que os argumentos são as razões pelas quais aceitamos as respostas). Como os filósofos não são os únicos a resolver problemas e como para resolver problemas é necessário sempre pensar, então, nem todo o pensamento é pensamento filosófico:

  • as ciências empíricas, por exemplo, resolvem problemas recorrendo a observações e experimentações: a investigação destes cientistas está submetida à experiência, "parte dos factos, respeita-os até certo ponto e sempre retorna a eles" (de O conhecimento científico, um texto que pode esclarecer o carácter fáctico da ciência). A filosofia, por sua vez, não tem esse carácter empírico: é uma análise conceptual. Assim, como o problema da liberdade humana (o Homem é livre?) não pode ser resolvido através de testes ou medições ou experiências de laboratórios, não é problema científico;
  • por isso, não são filosóficos os problemas técnicos, práticos imediatos, utilitários -- por ex., que hei-de fazer para ganhar mais dinheiro? Os problemas filosóficos são teóricos, dizem respeito a princípios gerais/universais: por ex., por que razão se não deve matar? ou como podemos ter a certeza de que o mundo é como pensamos que é?
  • as religiões resolvem problemas procurando as respostas nos livros sagrados (a Bíblia ou o Corão, por ex.): neste sentido, as soluções vêm sempre de uma autoridade "exterior". Ao contrário, quando filosofamos devemos encontrar as respostas pensando por nós mesmos. Por ex.: se defendo que matar é uma acção má, não é porque tal esteja previsto num dos 10 mandamentos, mas porque entendo que a permissão do assassínio destruiria qualquer sociedade. É esta a razão que justifica a existência, nas religiões, de dogmas (verdades proclamadas como incontestáveis e que devem ser aceites mesmo que "se não entendam": por ex., o dogma cristão da Santíssima Trindade, segundo o qual em Deus uno há três pessoas distintas), mas não na filosofia.
||| Sobre este assunto pode
  resolver a ficha de trabalho d'O Canto (com um texto de apoio) Filosófico... sim ou não? e
  ler O carácter conceptual da filosofia (um texto de Desidério Murcho transcrito no site da Esc. Sec. de Alberto Sampaio de Braga).

2. Quais os (grandes) problemas que os filósofos estudam?

No número anterior realçámos o modo como os filósofos estudam os problemas (digamos, o método da filosofia). Veremos agora o seu objecto de estudo (o quê estudam). Apresentam-se alguns exemplos de problemas, agrupados em disciplinas ou áreas da filosofia, de acordo com a sua semelhança:

  • Filosofia da Religião
    Deus existe? O mal que há no mundo é compatível com a existência de Deus? Até que ponto a fé religiosa deve estar ao abrigo de discussão?
  • Ética ou Filosofia Moral
    Há padrões morais comuns a todos os seres humanos? Ou todas as normas morais são relativas a grupos humanos? A pena de morte é moralmente aceitável? E o aborto? E a eutanásia?
  • Estética
    O que é a arte? Como é que um objecto se torna artístico? Por uma propriedade desse objecto? Pela sensibilidade de quem o contempla?
  • Filosofia do Direito
    O que é o Direito? O Direito é expressão de uma vontade comum? É a concretização (imperfeita) da ideia de Justiça? É instrumento de poder de alguns? Como se justifica a punição de um criminoso? Vingança? Protecção da sociedade? Recuperação?
  • Filosofia Política
    O que é o Estado?
    O Estado é um bem? É um mal menor? É necessário ou poderíamos dispensá-lo? Até onde deve ir o seu poder? Em que condições é legítimo um Estado intervir nos assuntos internos de outro Estado?
  • Filosofia do Conhecimento ou Epistemologia
    O que é a verdade? Há verdade em matéria moral, política e religiosa ou ela só é possível nas ciências da natureza? Ou nem mesmo nessas ciências encontramos verdades?
  • Ontologia e Metafísica
    Que é a realidade? Uma pedra, o valor de uma mercadoria e um sonho são igualmente reais? Há critérios seguros para distinguirmos as aparências da realidade?
    (transcrito de RODRIGUES, Luís - Filosofia: 10º ano [dados bibliográficos aqui], p. 14)

3. Quais os instrumentos utilizados quando filosofamos?

Nos laboratórios de investigação científica usam-se instrumentos (os biólogos utilizam microscópios, por ex....) — e os filósofos, que instrumentos utilizam?

[ponto a desenvolver]

[OBSERVAÇÕES DO PROGRAMA]


©Out/2004

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